| ESTUDO
DEZENOVE: I MACABEUS
1
MACABEUS
PALAVRA-CHAVE:
Batalha
VERSÍCULO-CHAVE: 1 Mc 3,19
Estes dois livros, não fazem parte do cânon
dos hebreus e também não são aceitos
como inspirados pelos protestantes, mas foram reconhecidos
pela Igreja como sagrados (deuterocanônicos) desde
o século IV. O próprio Lutero não
gostava que fosse considerado apócrifo.
São livros de profunda revelação
e ensinamentos grandiosos. Tratam-se da história
das lutas travadas contra os soberanos selêucidas
(descendentes de Seleuco I Nicator que governou a Síria
entre 312-280 a.C) para obter a liberdade política
e religiosa dos judeus. Têm este título
por conta do apelido de Macabeu dado ao principal herói
desta história e depois estendido aos seus irmãos.
Quando Alexandre, o grande, morre, o seu reino é
dividido entre seus generais e é motivo de disputas,
particularmente entre os Lágidas (Ptolomeus)
no Egito, que dominaram a palestina até 198 A.C.;
e os Selêucidas na Síria (reino macedônico).
A palestina, como parte da Celessíria, volta
a ser disputada pelos senhores da Síria e do
Egito. Os dois livros nos dão informações
históricas dos judeus no período helenístico,
quando a judéia está sob o domínio
dos reis selêucidas que governam de Antioquia.
Neste período, é importante lembrar que
havia cessado toda a palavra profética, pois
o último profeta levantado em Israel foi Malaquias,
logo após a reconstrução do templo,
no período de Esdras e Neemias. Encontravam-se,
portanto, numa época de silêncio da parte
de Deus (4,46).
I Mcb cobre o período de 40 anos, que vai do
surgimento de Antíoco Epífanes (175 A.C.)
até a morte de Simão e o início
do governode João Hircano (134 A.C.). Foi escrito
em hebraico, mas só chegou até nós
numa tradução grega. Seu autor é
um judeu palestino, que o escreveu após o ano
de 134 A.C., provavelmente um pouco depois da morte
de João Hircano, por volta de 100 A.C. Seu gênero
literário imita as antigas crônicas de
Israel.
A principal mensagem deste livro diz respeito à
aliança (2,50). O povo deve cumprir a Lei (Torá),
quando deixa de fazê-lo, Deus o castiga. Os judeus
(pró-helenistas) que não respeitam e nem
seguem a Lei, são considerados responsáveis
pelos desastres que o judaísmo sofre durante
o período selêucida. Isto inclui os moradores
de Jerusalém, a nobreza, os sacerdotes do templo,
e até o sumo-sacerdote (4,23; 7,5.9). Deixa claro
que todos os sucessos e vitórias devem-se à
ajuda de Deus. Na história de Israel , principalmente
entre os profetas, aparece o tema do ‘resto’ que permanece
fiel a Deus e à Lei. Os Macabeus são apresentados
como chefes deste “resto”, que permanece fiel, independente
das ameaças, lutas e perseguições
(2,27).
O livro todo traz a disputa entre o partido dos pró-helenistas,
da elite governante de Judá que buscava inserir-se
no mercado dominado pelo império selêucida
(a elite que então dominava, na tentativa de
inserir-se no mercado mundial, cria e desenvolve políticas
de alianças com os grupos internacionais hegemônicos,
que também querem o controle do mercado mundial)
e dos hasmoneus, como eram chamados os Macabeus, pois
segundo o historiador Flávio Josefo, descendiam
de um homem chamado Hasmoneu (que seria pai do sacerdote
Joiarib), que queriam a preservação da
lei e dos costumes judaicos. A eles juntaram-se os hassidim
(em grego assideus), ou partido dos Leais (2,42).
Os hasmoneus deram origem ao grupo dos saduceus e os
Assideus, após uma divisão entre eles
no período de Jônatas, deram origem aos
essênios e aos fariseus.
Esquema
de 1 Mcb:
• 1,1 – 2, 69 – Introdução
• 3,1 – 9,22 – Judas Macabeu
• 9,23 – 12,53 – Jônatan Macabeu
• 13,1 – 16,24 – Simão Macabeu
O tema dos dois livros é parecido: Por causa
da intervenção e socorro de Deus, Judas
Macabeu e seus irmãos reconquistam a autonomia
nacional e a liberdade religiosa que Antíoco
IV tentara destruir.
O sistema cronológico adotado pelos livro, segue
na maior parte das vezes o calendário selêucida
ou macedônio, por isso as datas não coincidem
com as datas da era cristã que data os acontecimentos
em A.C e D.C.
Panorama Histórico: Em 198 a.C. o Selêucida
Antíoco III, o Grande (223-187 a.C.), vence os
egípcios em Panion (Baniyas), junto às
nascentes do Jordão, e expulsa definitivamente
os Ptolomeus da Ásia. A anexação
da Celessíria se dá a seguir. Pressionados
por Roma, com quem entram em conflito, os Selêucidas
assistem aos progressivo declínio de seu Império.
Para solidificar o fragmentado Império, os reis
Selêucidas, e especialmente Antíoco IV
Epífanes (175-164 a.C.), implantam um acelerado
processo de helenização dos vários
povos e cidades da região. A instabilidade do
reino selêucida aumenta e Antíoco IV toma
medidas helenizantes como forma de consolidar o seu
poder. Concede o status de pólis a várias
cidades, promove a adoração de Zeus e
reivindica para si prerrogativas divinas, dando a si
mesmo o nome Antíoco Theos Epífanes, que
significa deus manifesto.
Lições
do livro:
1)
Permanecer fiel ao chamado do Senhor (Importância
da visão): Se não estivermos firmados
na visão que o Senhor nos dá, corremos
o risco de sair de sua vontade e deixar o que era de
Deus pela vontade carnal e as conseqüências
são desastrosas. Podemos perceber isso acontecer
claramente através da mudança nas motivações
das lutas dos Macabeus. Matatias inicia a luta motivado
em zelar pela lei e pela aliança (2,49-50.64).
Judas continua a luta do pai na mesma visão,
passando da defesa ao ataque, com o intuito de libertar
o povo da opressão e garantir a liberdade de
culto, conseguindo grandes feitos como a purificação
do templo e a vitória sobre os inimigos (3,1-9).
Jônatas vai perdendo a visão e inicial
e muda o rumo da luta, tornando-a uma articulação
mais política e cheia de trocas. Neste período
os macabeus começam a se unir com aqueles a quem
combatiam e a partir das promoções que
recebeu, Jônatas, antes líder de uma insurreição
contra os Selêucidas, passa a ser funcionário
do Estado que então combatia (10, 62-65). Simão
continua na mesma linha de Jônatas, negociando
com o inimigo, recebendo dele honrarias e presentes,
vivendo no luxo (15,32). Morre bêbado, por traição
(16,16). A expansão territorial acontece, mas
a um preço muito caro e as futuras gerações
de judeus sofrerão muito com os desmandos dos
descendentes de Simão. Que distância entre
o zelo e despojamento de Matatias, que largou tudo o
que possuía para seguir esta visão (2,28),
até o luxo e domínio dos descendentes
de Simão, sendo que Aristóbulo I, filho
e sucessor de João Hircano, chegou a encarcerar
a mãe (que morre na prisão) e os irmãos,
para assegurar o poder em suas mãos!
2)
Importância do Líder: Na história
toda, vemos a importância do líder e sua
conduta na direção do povo. Neste sentido,
na condução e estratégia de batalha,
Judas é um modelo de liderança. Sua estratégia
de luta, torna-o invencível:
? Coloca cada batalha nas mãos do Senhor e ora,
jejua e busca a palavra de Deus antes de cada peleja
(3, 44.46-48; 4, 29-33).
? Reconhece que é Deus quem luta por eles e que
portanto a vitória é dEle (3, 18-22; 4,11;
2 Mcb 8, 18-20).
? Dá a Deus toda a glória (3,55; 4,24).
? É corajoso e valente e encoraja seus soldados,
não deixando que desanimem. É sempre o
1º a tomar as armas (3,58-60; 4,7-10; 5, 40-43.53;
2 Mcb 11,7; 2 Mcb 8 16 e 21).
3)
Motivações Erradas: Muitas vezes a causa
é certa, mas a motivação errada,
ou seja, fazemos algo lícito e correto, mas com
o coração fora da sintonia com Deus. Não
adianta querer fazer algo que o Senhor não nos
mandou fazer, pois Ele não compactua com nossas
atitudes carnais e por conseguinte somos derrotados.
São 3 as atitudes carnais que nos levam à
derrota:
? Querer obter glória para si mesmo (5, 56-60.67).
? Desobediência (5,61)
? Não ter o chamado de Deus (5,62).
4)
Perigo das alianças: O livro mostra o perigo
de buscar em outro lugar a ajuda que está em
Deus. Até este dia Deus livrara Judas em todos
os combates, inclusive combatendo exércitos muito
mais poderosos do que o dele; porém Judas ouvindo
falar dos Romanos e seu poder, quis ir pelo caminho
mais fácil, buscar uma ajuda visível aos
olhos humanos (8,1-29). Não lhe trouxe nenhuma
vantagem humana e ainda perdeu a graça que o
acompanhava, pois na próxima luta em que se encontrou,
foi morto (9,3-18). Começou aí a semente
que desviou os macabeus do plano de Deus. Quanto mais
se empenhavam em manobras políticas e alianças,
mais se vêem traídos e isso lhes custa
a vida. Jônatan faz aliança com Demétrio
no capítulo 11 e no capítulo 12, 1-2 com
Roma e Esparta; no mesmo cap. é capturado e morto
por Trifão depois de ter sido traído e
enganado pelo mesmo Trifão que o enchera de presentes
(12, 43.46.48; 13,23). Simão no cap. 15 faz aliança
com Roma e no cap. 16 é assassinado com seus
dois filhos, pelo próprio genro (16,11-16).
5)
Estratégias do Inimigo: Como o inimigo não
podia vencê-los pela força, pois o Senhor
estava com ele, usou sua velha estratégia de
“seduzir”, como fez com Eva. Primeiro o inimigo tenta
intimidar com lutas e perseguições, como
nos primeiros capítulos, depois se não
consegue vencer desta forma, tenta “comprar” os servos
de Deus, oferecendo-lhes o que não é da
vontade de Deus para fazê –los pecar. Jônatan
não podia ser sumo-sacerdote porque não
era descendente de Aarão, mas aceitou este cargo
e pior ainda, nomeado por um gentio que os oprimia.
Isto começou a gerar divisões, pois os
Assideus não aceitavam isso (10, 3-6.18-21.64-65).
Com tantas honrarias, o poder vai subindo e ele já
não ora mais antes das batalhas (10, 74-75).
Vai recebendo cargos e promoções até
que se encontra ao serviço do rei (11, 43-44).
Simão continua e aumenta o afastamento do plano
inicial de Deus: além do sumo-sacerdócio
e dos cargos (14,38.47), ainda começa a viver
no luxo e nas riquezas, tornando-se parte da elite (15,32).
Ao conquistar Acra, a fortaleza dos gentios, fez dela
seu palácio real. Apesar de ter feito muitas
coisas boas pelo país, desviou-se da vontade
de Deus.
Conseqüências Históricas: Assassinado,
Simão é sucedido por seu filho João
Hircano I, que continua o processo de judaização
da Palestina. Mas, por adotar medidas militares políticas
helenizantes, João Hircano I começa a
enfrentar a oposição dos fariseus, grupo
que vai se tornando cada vez mais popular. Aristóbulo
I, filho e sucessor de João Hircano, apesar de
ter governado apenas um ano, continua o processo de
reaproximação com o helenismo. E a luta
pelo poder no seio da família dos Macabeus é
forte: Aristóbulo encarcera sua mãe e
seus irmãos. Seu irmão Alexandre Janeu
casa-se com a rainha viúva, Salomé Alexandra,
proclama-se rei, e continua o processo de anexação
de territórios na Palestina, levando suas fronteiras
a um ponto que o país nunca mais tivera desde
que fora destruído por Nabucodonosor em 586 a.C.
Entretanto, Janeu vai enfrentar pesada guerra civil
no seu confronto com os fariseus. Agindo com crueldade
extrema, ele controla a situação após
6 anos de sangrentos conflitos. Sua mulher Salomé
Alexandra assume o poder depois dele e faz a paz com
os fariseus, governando com grande habilidade.Mas seus
dois filhos, Hircano II e Aristóbulo II, após
a morte da rainha, entram em violenta disputa pelo poder,
que só acaba com a chegada definitiva dos romanos
na região. O general Pompeu anexa a Judéia
à República Romana em 63 a.C. É
preciso ressaltar que, pouco a pouco, o governo macabeu
toma rumos semelhantes aos de seus inimigos Selêucidas,
afastando-se dos ideais originais da resistência.
É isto principalmente que provoca os atritos
com os judeus mais rigorosos na observância da
Lei.
Vocabulário: Estratego: chefe militar / Meridarca:
Governador de uma parte do reino. Etnarca: Governador
de província.
QUESTIONÁRIO
1. Na sua opinião, por que a palavra chave do
livro é batalha?
2. Qual o assunto deste livro e por que tem este nome?
3. Sobre que período o livro nos dá informações
históricas?
4. Quem é o autor e em que época foi escrito?
5. Qual a principal mensagem deste livro?
6. Quais os partidos existentes na época e o
que queriam cada um deles?
7. O que são os Hasmoneus e Assideus? Quais os
grandes grupos que se originaram deles?
8. Qual o esquema deste livro?
9. Qual o panorama histórico da época?
10. Quais as 5 lições deste livro?
11. Conforme a lição 1, qual a importância
de se manter a visão?
12. De acordo com a lição 2, como deve
ser um líder?
13. Baseando-se na lição3, quais as 3
atitudes carnais que nos levam à derrota?
14. Sabendo-se do perigo de buscar em outro lugar a
ajuda que está em Deus, de acordo com a lição
4, como as alianças com o mundo podem nos afetar
nos dias de hoje?
15. Quais são as estratégias do inimigo
para nos tirar da batalha e como ela se manifesta em
nossas vidas hoje?
16. Quais as conseqüências na história
dos judeus?
17.
O que mais te marcou neste livro?
18. Diante de tudo o que você aprendeu, qual deve
ser nossa atitude frente a uma luta?
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