| ESTUDO
ONZE: I eII REIS
PALAVRA-CHAVE: Realeza
VERSÍCULO-CHAVE: 1 Re 2,12; 11,13
Na bíblia
hebraica estes dois livros são chamados "O Livro
dos Reis", pois originariamente formavam um só
livro, a exemplo de 1-2 Sm. Foi a versão grega dos Setenta
(LXX) que o subdividiu em dois, dando-lhes o nome de
"Terceiro e Quarto Livros dos Reinados", títulos
que a Vulgata Latina transformou em "Terceiro e
Quarto Livros dos Reis".
Reis constitui a parte final da grande obra deuteronomística
que começa com Dt., Sobre a unidade do santuário. A
descoberta do livro de Dt no tempo de Josias produz
uma reforma religiosa marcante e demonstra a tese fundamental
de Dt., Repetida em 1Re 8 e 2 Re 17: se o povo observa
a aliança feita com Deus, será abençoado; se a quebra,
será castigado.
Segundo a intenção original, Rs não era tanto histórico,
e sim "profético". É uma reflexão teológica
sobre a história do povo e seus reis.
Divisões:
1)1 Re 1-11: da coroação à morte de Salomão.
2)1 Re 12-2 Re 17: de Roboão ao cativeiro de Israel
sob os assírios.
3)2Re 18-25: de Ezequias ao cativeiro de Judá sob os
caldeus.
Os dois livros relatam o curso da monarquia começando
sua maior glória, passando pelo declínio e divisão até
a queda final. São a continuação imediata dos livros
de Sm, e 1Re 1-2 contém o fim do grande documento de
2Sm 9-20. Sob Salomão (1Re 3-11), a realeza chega ao
auge, tendo o templo como sua coroa. Logo no começo
Salomão desobedeceu as três coisas que Moisés ordenara
em Dt 17,16-17: Não multiplicar ouro e prata, não possuir
muitas mulheres, e não trazer cavalos do Egito (1Re
10,14,26.28,29 e 11,1-3) Despesas e ostentação, esposas
pagãs e adoradores de ídolos, culminaram com a cisão
do reino, após a morte de Salomão em 931 a.C., e cada
uma das partes acabou em cativeiro e dispersão (1Re
12-13).
A história paralela dos dois reinos de Israel e Judá
vai de 1Re 14 a 2Re 17: conta as lutas entre os dois
reinos irmãos e as invasões dos inimigos externos -
Egito contra Judá e os arameus contra Israel. A situação
se agrava com a invasão dos exércitos assírios no século
IX e, com mais força, no século VIII, quando o reino
do norte (Samaria) é derrubado em 721 a.C. e Judá se
torna vassalo. A história continua com Judá apenas,
até a ruína de Jerusalém, em 587 (2Re 18-25,21). Neste
período acontecem dois relatos marcantes, com reforma
religiosa e ressurgimento nacional: Ezequias (2Re 18-20),
com a invasão de Senaquerib em 701, devido à recusa
de pagar tributo assírio; e Josias (2Re 22-23), com
a ruína da Assíria e a formação do império caldeu. Judá
revolta-se contra os novos senhores a que havia sido
submetida e por conseqüência é invadida em 597 pelos
exércitos de Nabucodonosor, que tomam Jerusalém e deportam
uma parte de seus habitantes; dez anos depois uma revolta
dos judeus leva a uma nova invasão que terminou em 587
com a ruína de Jerusalém e uma segunda deportação. O
livro encerra-se com dois apêndices: 2Re 22-30.
O livro trata da realeza: um verdadeiro rei é aquele
que guarda os preceitos do Senhor... Anda em seus caminhos,
observa suas leis, mandamentos, conforme a lei. A função
real consiste em governar o povo com sabedoria e justiça,
inclusive servindo-o (1Re 12,7), pois esse povo é propriedade
de Deus. A fidelidade ao Senhor, a dedicação na celebração
correta do culto em Jerusalém, são fundamentais! Os
reis por sua vez cometeram inúmeros pecados: cultos
idólatras, construção de templos ou altares a falsos
deuses, consulta a deuses estrangeiros, opressões e
violências contra o povo, perseguições aos profetas
do Senhor, guerras realizadas sem a aprovação de Deus,
sacrifícios de crianças.
O critério da apreciação dos reis é a centralização
do culto no templo de Jerusalém: Os que toleraram ou
praticaram cultos fora deste templo, são todos reprovados.
Portanto, Jeroboão I e todos os demais reis do Norte
são condenados pelo "pecado de Jeroboão" que
consistiu na construção e manutenção dos santuários
de Dã e Betel, levando o povo a pecar. A maior parte
dos reis do Sul é reprovada por ter tolerado ou não
ter suprimido cultos fora do templo salomônico. Apenas
Ezequias e Josias são plenamente aprovados, enquanto
Asa, Josafá, Joás, Azarias e Joatão o são com ressalvas.
Para o autor de Reis, a ruína de Israel e Judá é conseqüência
dos pecados dos reis e dos pecados que eles induziram
o povo a cometer.
O problema principal deste tempo foi idolatria. O reino
unido foi dividido por causa da idolatria de Salomão,
e os dois reinos divididos praticaram a idolatria a
maior parte do tempo até o cativeiro. O povo vivia como
queria, pois ao invés de ter um Deus sobre eles, tinham
deuses abaixo deles, criados por suas mãos. Quando deixamos
a Deus e adoramos criaturas, damos aberturas para espíritos
malignos, que estão por trás dos ídolos, entrarem em
ação. Podemos perceber a ligação entre rebelião, idolatria
e feitiçaria. Quando as pessoas não querem se submeter
a Deus (rebelião), procuram outros deuses que as deixem
fazer o que quiserem (idolatria) e depois se tornam
escravas de espíritos falsos (feitiçarias).
Com o desvio do povo após outros deuses, Deus começou
a mandar seus profetas. No tempo de glória, a literatura
se constituiu de poesias, cânticos, sabedoria (salmos,
cantares, provérbios, Eclesiastes); porém no tempo de
apostasia (declínio e queda de Israel) a mensagem era:
Perigo!
Deus levantou profetas para avisar seu povo do juízo
que viria se continuassem no caminho que estavam seguindo.
Também exortavam e imploravam ao povo para voltar à
lei de Deus. O primeiro profeta de destaque foi Elias
(1 Re 17 -2Re 2) e depois seu sucessor, Eliseu (2Re
2 - 9). São profetas também no período dos reis: Isaías,
Jeremias, Ezequiel, Amós, Oséias, Miquéias, Sofonias,
Naum, Habacuc, Jonas.
Vamos nos deter um pouco sobre Elias, o representante
de todos os profetas. Elias não escreveu nenhum livro,
mas seu ministério, autoridade e ações expressam o espírito
profético de forma maravilhosa! Os profetas, basicamente,
representavam uma coisa só: a restauração da lei de
Deus. Elias trabalhou por isso: Restaurou o altar do
Senhor e destruiu os profetas de Baal; restaurou o ministério
de sinais e milagres numa escala nunca vista desde os
dias de Moisés (é interessante notar que historicamente
só houve quatro períodos onde sinais e milagres aconteceram
de forma espantosa - no tempo de Moisés e Josué; de
Elias e Eliseu; de Jesus e os apóstolos e nestes últimos
dias, século XX e XI). Através dos milagres de Elias
e Eliseu, Deus estava novamente procurando libertar
o seu povo da escravidão (Baal e outros ídolos) para
levar a seu reino.
Elias era um homem que vivia na presença de Deus (1Re
17,1), e por isso sua palavra era a própria palavra
de Deus. Ele tinha tanta intimidade com Deus, que dizia:
"Deus, em cuja presença estou". Ele não tinha
apenas 'momentos' com Deus, ou experiências gloriosas,
mas vivia com o Senhor constantemente! Por isso podia
dizer que os fatos aconteceriam 'segundo a minha palavra',
porque era amigo de Deus e sabia o que Ele queria fazer.
Seu ministério foi uma preparação para todos os profetas
que vieram depois. Representa o arrependimento, a conversão
a Deus e o retorno à lei de Deus. Essa mensagem não
se restringe apenas a uma época histórica, mas são necessárias
para todas as épocas, principalmente para preparar o
caminho para a vinda do Senhor. É justamente este espírito
profético, que ultrapassa a própria mensagem profética,
que fez com que Elias fosse escolhido como representante
de todos os profetas, como Moisés é o representante
da lei (Mt 17,1-3; Ap 11, 3-6).
O ministério de Elias vai restaurar a família (Ml 4,4-6).
A restauração da família é a chave ou início da restauração
das outras coisas. Deus começou com a família (Adão
e Eva, a sagrada família) e vai terminar com a família
também (bodas do cordeiro). Hoje, necessitamos desta
restauração da palavra profética, que traz o povo de
volta à obediência, para que haja restauração da família,
sociedade e de toda a Terra. Necessitamos de profetas
que virão no 'espírito e poder de Elias' (Lc 1, 16-17).
Os livros dos Reis terminam com o último descendente
da dinastia davídica (a fidelidade de Deus manifesta-se
na permanência da linhagem de Davi, com a promessa do
descendente que seria o Messias), Joaquim, recebendo
um favor do rei da babilônia - comer todos os dias à
mesa real - como um anúncio de uma futura redenção.
PERGUNTAS
1.Explique a origem do
nome destes livros.
2.Que livro do Pentateuco influencia Reis e qual é esta
influência?
3.Quais as três divisões destes livros e cite em cada
divisão, a passagem que mais te marcou.
4.Qual o período de glória da nação de Israel e qual
o período de declínio e queda?
5.Faça um resumo da história de Salomão e aponte as
causa de sua desobediência e queda diante de Deus.
6.Quais as lutas por que passaram os reinos divididos
de Israel e Judá?
7.Como deve ser um verdadeiro rei?
8.Em Ap 1, 6, somos chamados de reis e sacerdotes. Que
tipo de rei devemos ser?
9.Quais os pecados cometidos pelos reis e qual a conseqüência
destes pecados?
10.Qual o pecado principal deste tempo e qual sua influência
e ação no meio do povo?
11.Qual a ligação entre rebelião, idolatria e feitiçaria?
12.Sabendo que no plano natural Israel representa o
que no plano espiritual é a igreja, dê sua opinião sobre
rebelião, idolatria e feitiçaria nos dias de hoje.
13.Qual a mensagem e os livros escritos no tempo da
glória e nos tempos da apostasia?
14.Qual a mensagem dos profetas e por que Deus os enviava?
15.Qual o representante de todos os profetas? Por que?
16.Como Elias trabalhou pela restauração da lei?
17.Quais os quatro períodos onde sinais e milagres aconteceram
de forma espantosa?
18.Qual a finalidade dos milagres naqueles dias? E nos
dias de hoje?
19.Por que podemos dizer que a palavra de Elias era
a 'palavra de Deus'?
20.O que representa o ministério de Elias e porque é
necessário para todas as épocas?
21.Na sua opinião como o ministério de Elias pode restaurar
as famílias?
22.Em sua opinião, a igreja hoje, parece-se mais com
Israel do tempo de Salomão, ou com Israel nos tempos
da divisão dos reinos? Por que?
23.O que é necessário nestes dias para que a igreja
possa ser restaurada e Jesus possa voltar?
24.O que mais marcou neste livro? Qual a mensagem que
tira para sua vida? |