O MUNDO É DOS ESPERTOS

Temos tantas necessidades em nossas vidas aqui nesse mundo, e temos também tantas mordomias, que muitas vezes não conseguimos vislumbrar a fronteira do necessário, do possível e do supérfluo. E por não conseguirmos diferenciar essas metas, acabamos nos desgastando em uma corrida insana.

E se nós nos perguntássemos sobre os valores que nos impulsionam nessa corrida, quais seriam as nossas respostas? O que é que nos move ou o que é que realmente nos importa?

De uma maneira geral, parece que o que nos impulsiona nessa corrida é um trecho da oração mais executada do mundo, o Pai Nosso, ensinada por Jesus e que diz "O pão nosso de cada dia nos daí hoje", mas que o espírito consumista acrescentou "garantindo o de amanhã, com sobra, e bastante conforto".

E impulsionados por essas aparentes "necessidades", permitimos que os nossos princípios, aqueles princípios selados, muitas vezes com juramentos e promessas de fidelidade, como "não matarás, não roubarás", e tantos outros, sejam modificados sem muitos "porquês".

Assim, não é mais importante a maneira como nos comportamos, aquilo que fazemos ou falamos, ou os meios para atingirmos a satisfação de nossas "necessidades". O importante é que essas "necessidades" sejam satisfeitas. Que se dane os outros pois "o mundo é dos espertos".

Quantas vezes esse ditado, essa frase tão profunda ressoa em nossas ouvidos, repercute em nossos lábios. E por isso está gravada em nossas mentes e corações: o mundo é dos espertos.

Mas, reflita comigo. Qual dos espertos conseguiu ficar com o mundo? Qual desses que atropelam os semelhantes para nunca ser semelhante a eles, mas sempre superiores, conseguiram satisfazer todas as suas necessidades? Quantos conhecemos que, após gozarem os prazeres desse mundo, puderam carregar esses prazeres para o túmulo, e continuar gozando-os?

Assim parece que, não conseguindo se apossar do mundo, os espertos são pelo mundo envolvidos, e simplesmente passam, como tudo. Infiéis aos princípios, abusam dos meios e não sabem o fim, ou melhor, simplesmente não chegam aonde gostariam: a felicidade completa e a perfeição por seus próprios méritos.

Que diferença do ensino e do exemplo de Jesus. Cada declaração d'Ele cai como uma bomba sobre os princípios dos espertos: "O meu reino não é deste mundo; Os humilhados serão exaltados e os exaltados, humilhados; Bem aventurados os pobres de espírito, os mansos, os que choram ...; Eu não vim para os justos, mas para os pecadores, nem para os sãos, mas sim para os doentes."

Parece claro que há um reino para aqueles que não se conformam com a aparência, a correria e o consumismo deste mundo. O reino dos humildes, o céu.

E é necessário prudência aos destinatários do reino celeste. A prudência daqueles que sabem que tudo lhes é permitido, mas nem tudo convém, e possuem como se não possuíssem, e vivem sabendo que estão apenas passando, mas que há um lugar aonde permanecerão eternamente.

O mundo talvez seja dos espertos. Que fiquem com ele. Mas o céu pertence aos humildes. Humilhai-vos pois, sob a poderosa mão de Deus.

 

 

 

 

 

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